27 abril 2006

A festa acabou.

Durante muitos anos habituámo-nos a um rega-bofe com a segurança social.
Criaturas saudáveis viviam a saltar de uma baixa médica para outra. Outras, ainda mais saudáveis reformavam-se por invalidez, sem que aparentemente sofressem de maleita alguma.
Como se isto não bastasse, gabavam-se frequentemente desta esperteza. O resultado está à vista: a segurança social está à beira da falência e hoje vai ser apresentado um plano para o evitar. Em resumo as ideias são simples: as reformas vão baixar, porque contabiliza-se toda a vida contributiva; vai-se trabalhar até mais tarde.
Agora que passam 32 anos sobre o 25 de Abril vale a pena pensar nisto.
A revolução trouxe-nos a liberdade, e isso não tem preço. Mas a revolução trouxe também uma espécie de ideia de que o estado era responsável por tratar de tudo e de todos.
Os resultados estão à vista. Uma geração depois, a malta de Abril está confortavelmente instalada e com belas reformas. A geração seguinte vai ter de trabalhar mais do que a anterior, descontando muito mais do que a anterior e recebendo no final muito menos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Esse tipo de generalizações ligeiras é um discurso muito em voga. Os trabalhadores são TODOS uns malandros, só porque há uns "saudáveis" que saltam de baixa médica em baixa médica; são TODOS uns facínoras porque "alguns" acumulam subsídio de desemprego com uns biscates... E daí - libertando incenso saudosista do rigor ascético do mão firme de Santa Comba - se chega à "malta de Abril instalada no poder"! E se cantam hóssanas ao liberalismo que tudo cura e o Requiem pelo estado providência!

Anónimo disse...

Oh meu caro, eu tb sou trabalhador.
O "incenso saudosista" da mão de Comba Dão só você é que o sentiu.
Aquilo que gostava de poder era decidir, em liberdade, poder optar ou não pelo regime público de segurança social. Mas isso não nos deixam. Tem de ser o estado a tomar conta de nós. Que nós queiramos quer não.

Anónimo disse...

O Estado somos nós. Aquilo que o senhor gostava não constitui novidade. O que está em causa é o confronto de teses, entre os que, como o senhor, defendem um conceito de sociedade-economia muito Adam Smith, banindo a protecção social; e os que entendem que o estado providência deve prevalecer, reformável que é. Não resuma o que escreveu antes a essa opção de escolha contributiva... já tem os PPR´s !

Anónimo disse...

Ningué defendeu que se bana da protecção social.
Quanto à opçao, não é uma verdadeira opção, porque os PPR não impedem que se continue a contribuir para a segurança social.
O que está em causa é a universalidade do sistema, tal como existe. Porque a questão é que mesmo que eu não queira (e não estou a dizer que não quero) que o estado tome conta de mim, tenho de aceitar.

Anónimo disse...

Já que fala de Adam Smith, convém citá-lo:
"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

A solidariedade e o colectivismo podem ser muito bonitas e ficam muito bem nos discursos. Mas, de facto, o que move a mundo é o individualismo.
E isso falta a Portugal. O colectivismo tem sido a marca mais forte do nosso passado.

O individualismo não é contrário à solidariedade. São diferentes e complementares e podem coexistir.
Mas a solidariedade colectivista imposta à força apaga fatalmente o individualismo.

E assim chegamos onde estamos. Um país onde a cunha é mais importante que o mérito, o colectivo mais importante que o individuo.

soulroad disse...

Nós (povo) não somos o Estado, fazemos parte da nação que são coisas consideravelmente diferentes. Espanta-me que quem cita Adam Smith não conheça a diferença.
A solidariedade é fundamental. Eu pago os meus impostos e espero que com eles o Estado faça alguma justiça e ajude todos os que precisam, sem me descurar a mim que é o que se tem passado. Com a degradação dos serviços públicos temos de recorrer a serviços privados que temos de pagar mas a carga fiscal aumenta e o défice também.
O mais extraordinário nisto tudo é que os nossos governantes que nos últimos 30 anos tem sido incapazes de reformar o sistema nos têm convencido de que a culpa é nossa. O Eng. Sócrates é especialista nisso:
primeiro foram os funcionários públicos essa cambada de preguiçosos culpada do nosso atraso;
agora são os reformados, os que vão de baixa.
E o mais extraodinário é que há quem acredite e o defenda.
No meio disto tudo o status quo da elite que nos vai dirigindo mantém-se. As obras públicas continuam a ter grandes derrapagens nos custos. O Banco de Portugal mantém a estrutura e os salários milionários de quando tinham a política económica nacional para dirigir, só que agora essa função passou para o Banco Central Europeu.
E por aqui me fico pois o testamento vai longo.

Anónimo disse...

Muito bem!
Viva a Nova Democracia!
Viva!
Viva o João César das Neves!
Viva!
Viva o João Carlos Espada!
Viva...o Gato Fedorento!
Viva