14 fevereiro 2006

Ainda os cartoons

Venho trazer de novo o assunto à discussão porque discordo inteiramente com o que foi dito e comentado no post anterior sobre o mesmo assunto.
Sem surpresa, os cartoons dinamarqueses têm sido discutidos como um caso de liberdade de expressão versus respeito pelos símbolos religiosos.
E nesta discussão todos têm algo de sagrado. Uns têm deus e o seu profeta, os outros a liberdade de expressão.
Aparentemente Maomé aparece retratado em atitudes pouco proprias, sendo que a versão light seria a de Maomé com um turbante-bomba. Serà assim tão inocente a publicação destas caricaturas? E mais, serà sensato? Com que fim? Lançar polvora para uma fogueira a arder?
Os comentarios a esta publicação são de todo o gosto e feitio. sob q capa da liberdade de imprensa ofende-se de tudo um pouco e clama-se que os que nos indignamos somos a favor da censura.
Desde quando a liberdade de imprensa é fundamento para o desrespeito? E desde quando é que a liberdade de imprensa justifica manobras que em nada contribuem para o bem social, muito pelo contrario, antes incitam a violência?
A censura pode ser uma doença da sociedade, mas a desinformação também o é. Mais, tenho para mim que a desinformação é, ela propria uma forma de censura.
A questão para mim não esta em justificar actos de fundamentalistas islamicos ( que em nada se podem confundir com a religião que lhes esta subjacente) mas em condenar quem, sob a veste da liberdade contribui para a criação de um estado de sitio.
A.O.

9 comentários:

Crómia disse...

Quem fala assim não é gago!Penso como você, temos que tentar sempre considerar todas as perspectivas de determinados assuntos, de modo a não construir falsas especulações. Assim, relativamente a este assunto penso que os verdadeitos culpados são aqueles que incentivam este tipo de acções com o intuito de despoletar ou piorar aquele ambiente já de si austero e violento.

Anónimo disse...

A liberdade ou é ou não é.
E nas sociedades ocidentais a liberdade de imprensa é regulada pela lei. Não pela "lei" islâmica.
Já tivemos censura demasiados anos, para podermos agora compactuar com o seu regresso.
Nas sociedades ocidentais não podem existir temas tabu. Tudo pode ser discutido e, no limite, caricaturado.
Por causa de umass caricaturas de Maomé, os muçulmanos ficaram ofendidos... Pois pois. Mas nao os vi tão ofendidos quando foi do 11S. Ou do 11M. Ou dos atentados em Londres. Ou...
Se permitimos que se brinque com Deus e com Cristo (os jornais e a TV estão cheios disso), não podemos brincar com Maomé?
era o que faltava.
A liberdade existe ou não existe.
Na Europa existe.

Anónimo disse...

Reparo que no seu post tem o cuidado de separar o islamismo radical (politica) do islamismo enquanto religião. Muito bem, mas também muito "ocidental". Khomeni (nao sei se se escreve assim), o lider islamico do Irão durante muitos anos, dizia que o Islão ou é político, ou não é.
Se ele o dizia... assim o estão a fazer.

Anónimo disse...

E estão eles indignados por causa de umas caricaturas......
Vou enviar em anexo, e ficará ao critério a publicação de um rapaz a ser castigado por ter roubado pão. Passou-se no Irão...

Infelizmente, o que se vê nestas fotos é real e recente.
Esta criança Iraniana roubou pão e está a ser castigada.
Indignem-se e passem..

A.O. disse...

Eu jà vi essas fotografias, e jà vi piores, do Irão, do Iraque, do Iemen e afins. São radicais, são sim senhor, não respeitam os direitos humanos, concordo.Infelizmente não são os unicos. Nos EUA são condenados todos os anos menores à pena de morte, em Africa mutilam o clitoris às mulheres para nao terem prazer, muitas delas morrendo, em Portugal ainda não foi aprovada a lei do aborto, e por ai fora. Eu estou indignada com as caricaturas, como fiquei indignada com a caricatura do Papa com o preservativo no nariz, como fico indignada com muita coisa. Também não concordo com a reacção que os radicais islamicos estão a ter.
Agora dai a defender umas caricaturas... com que proposito? O que elas tentam transmitir? O radicalismo islamico? Bela novidade.

Anónimo disse...

A questão não é defender as caricaturas, é defender o direito a publicar as caricaturas.
E sabia que a liga Árabe tenciona incluir na Declaração dos Direitos Humanos uma delcaração sobre a "Blasfémia"?
Desde quando é que os países islâmicos defendem direitos humanos.
E não adianta relativizar o que se passa nos países árabes com o que se passa nos EUA ou na Europa.
Não é comparável. Não se pode comparar democracias com ditaduras teocráticas. Isso eleva as ditaduras a um patamar de discussão onde não pertencem.

As caricaturas podem ser condenáveis, mas são um direito legitimo de quem as publicou.
As reacções islamicas (aliás muito bem orquestradas) não só são conenáveis, como não são um direito pois são violentas e criminosas.
Percebe a diferença?

A.O. disse...

Concordo no essencial com o que disse, mas não defendo um direito sagrado a publicar tudo o que se pretende, mas defendo que os símbolos religiosos merecem respeito independentemente da religião que representem.

No caso concreto parece-me que o que está em causa, mais que a liberdade de culto ou de expressão, é a segurança. Justamente porque somos vulneráveis é que nos convém se prudentes. O espectro da guerra e a possibilidade real de esta vir a existir é que nos deveria fazer pensar.

Se o mundo ocidental tão civilizado e tolerante apenas deixou de ter guerra, dentro das suas fronteiras há apenas 60 anos, depois de duas guerras (das mais sangrentas que há memória) que se passará quando estamos perante nações que, em nome da religião, pretendem resolver os seus problemas de desenvolvimento?

Não sei se não andaremos a discutir o sexo dos anjos ou se os mesmos podem bailar na ponta de uma agulha, com os muçulmanos às portas de Bizâncio (leia-se às portas do Ocidente).

Cumprimentos

A.O.

EU disse...

Não se defendem as caricaturas em si mesmo! Defende-se (ou melhor defendo!) o direito a quem as quiser fazer, as poder fazer!! Sem medos, sem "terror", em liberdade!
E não podia concordar mais com um comentário anterior: a liberdade ou existe ou não, não há meios termos!
Indignem-se, protestem, façam o que quiserem. Só não tentem atravès do terror tolher os nossos direitos e liberdades...

Anónimo disse...

"Porque somos vulvenáveis é que devemos ser prudentes"
Desculpe lá... É o contrário. é por sermos prudentes que somos vulneráveis. A "prudencia" de que fala é a da cedencia perante valores que são fundamentais e que fazem de nós aquilo que somos.
De que prudencia é que fala? Da prudencia de Chamberlain perante Hitler?
Vencemos a 2ª guerra, não porque fomos prudentes, mas porque fomos corajosos. Vencemos a guerra fria, não porque fomos prudentes, mas porque fomos ousados. Estávamos, como agora, do lado certo, a defesa da liberdade.
Eu posso não gostar dos cartoons, mas defendo sem hesitações o direito à sua publicação. E o facto de os cartoons poderem ter sido "encomendados" para provocar, não altera nada. Liberdade. é disso que se trata. é isso que incomoda o mundo árabe. E é a isso que estamos a ceder. Ao ser prudentes já estamos a perder. Por isso é que a nota do MNE é lamentável. É tão lamentável que mereceu um elogio do Irão... Mas que raio de país é que se orgulha por ser elogiado pelo governo do Irão?